Parte II | Parque Nacional Torres del Paine e Cueva del Milodón
Um lugar em movimento.
O sentimento ainda é o mesmo: maravilhamento, encantamento e reverência à natureza. E ainda assim, tudo muda.


No Parque Nacional Torres del Paine, a paisagem não é estática, ela se transforma com o vento, com as nuvens, com a luz que atravessa as montanhas. É tudo tão vivo que parece respirar junto. Cada parada é um convite para observar o agora. E foi isso que me guiou durante todo o dia: o olhar atento, disponível, presente.

A primeira imagem que me lembro é do lago azul-esmeralda com as torres ao fundo, quase escondidas pelas nuvens. O céu carregado, as cores lavadas… aquele drama silencioso que só a natureza sabe criar.


Fotografei em preto e branco, para deixar que o clima falasse mais alto, sabe quando a imagem pede por isso? Percebe como podemos “enxergar”o vento através do movimento do lago e as nuvens mais escuras entrando em cena. Qual você prefere a colorida ou preto e branco? Me conte nos comentários como fariam.

Depois veio a Cascada Río Paine, forte, cristalina e azul. O som da água vinda do degelo batendo nas pedras e a cor que se formava, pedia detalhes, queria mostrar a força da água com a pedra e assim fiz essas fotos onde se congela o movimento e mostra o seu volume.



No Lago Sarmiento, o vento foi protagonista. Um vento que empurra o corpo, que te obriga a se firmar e sentir. Fotografei ali pensando na transformação que esse cenário vive, o jeito como a vegetação se movia, como as nuvens corriam sobre as montanhas, como tudo estava em constante movimento e cada instante te apresenta uma nova forma de ver.







No Lago Pehoé, o silêncio. Um espaço de pausa, onde tudo se assentava. A água mais calma, o tempo mais lento. Um lugar pra respirar.





Seguimos até o Lago Grey, onde almoçamos com vista para um iceberg. Parte do lago estava seco, e havia uma trilha até o gelo que ficou só no desejo, por falta de tempo. Mas mesmo de longe, a presença do iceberg era poderosa. Foi minha primeira vez vendo um iceberg de “perto”, queria ter tido tempo de me aproximar.


O dia terminou na Cueva del Milodón, uma caverna onde foi encontrada uma preguiça-gigante pré-histórica. Lá dentro, o silêncio era outro, mais profundo, mais denso. Como se o tempo tivesse ficado ali.




O que ficou em mim, ao final do dia, foi essa sensação de respeito. Pela imensidão, pelas mudanças sutis, por tudo que se mostra quando a gente observa de verdade.
Parece o mesmo e nunca é.
Um lugar de transformações: externas e internas.
De contemplação, de escuta, de pausa.
E é isso que tento trazer nas imagens que fiz: mais do que paisagens, momentos que me atravessaram.
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